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Data de Publicação: 09/02/2010  

Franquias no caminho da responsabilidade social

Franqueadores começam a entender as ações sustentáveis com menos temor.
Divulgação
O Instituto Sorridents, que lançou o consultório móvel para atender a comunidade com entidades parceiras, vai lançar outras ações em 2010.
Dá para fazer responsabilidade social com custo quase zero. Luiz Fernando Magna Bosco, do Instituto Bit Company
O ano de 2010 marca o segundo período de vigência dos indicadores de responsabilidade social do franchising brasileiro. O setor coleciona boas iniciativas na área, mas há um longo caminho a ser percorrido por franqueadores e franqueados. "O primeiro trimestre ainda é um período de ajustes do planejamento anual, com espaço para inclusão do tema", sugere o presidente da Associação Franquia Sustentável (Afras), Cláudio Tieghi. "Acredito que atualmente as empresas já entendem melhor do que estamos falando", diz Tieghi. A resistência, muitas vezes, se apoia em temores infundados. Entre eles, a ideia de que só grandes corporações podem desenvolver um programa de sustentabilidade; ou que a empresa teria que estar ecologicamente correta em 100% dos procedimentos antes de aderir. A entidade, braço social da Associação Brasileira de Franchising (ABF), alterou o nome em 2009, substituindo a palavra "solidária" pela designação sustentável, para destacar que as suas propostas vão além das ações assistencialistas. Tieghi festeja que, ao final do ano passado, 95% dos 60 associados da Afras informaram desenvolver alguma atividade com responsabilidade social. Primeiros passos Um ponto de partida para abraçar a causa, sugere, é o franqueador responder pela internet os Indicadores Setoriais Ethos – ABF – Afras, na página do Instituto Ethos (www.ethos.org.br). "É a oportunidade de se ter um diagnóstico (gratuito e sigiloso) para iniciar o trabalho", afirma Tieghi. O questionário aborda questões relacionadas aos valores de governança e de relacionamento com o público interno, com o meio ambiente, fornecedores, consumidores, comunidade do entorno e governo. "Ao responder, por exemplo, se a empresa apoia pequenos produtores, o franqueador poderá observar que algum item do seu programa de vendas pode ser feito por uma pequena comunidade de artesãos, com garantia de compra e transferência de know-how. As redes O Boticário e Yázigi já fazem isso", comenta Tieghi. Às vezes, acrescenta, ele descobre que faz coisas (como trabalho voluntário, com envolvimento dos funcionários) que poderiam ser ampliadas sem custo adicional (envolvendo os franqueados), resultando em cumprimento de 100% de um dos indicadores. Lição de casa Na matriz das clínicas odontológicas Sorridents, o questionário apontou a necessidade de envolver toda a equipe nas ações de responsabilidade social da empresa. Como primeiro passo nessa direção, além de um workshop no final de 2009, o franqueador aproveitou a comemoração do aniversário de 15 anos, em janeiro, para envolver todos os funcionários no plantio (e adoção) de árvores em um centro municipal da zona leste de São Paulo. "O questionário nos ajudou a rever alguns processos", comenta o diretor de Relações Institucionais e de Responsabilidade Social da Sorridents, Rubens Rafael. Seu objetivo é concluir até março o planejamento estratégico de responsabilidade social para toda a corporação. Prêmios As incursões da marca nessa direção remontam aos anos da fundação do negócio, com a atuação da fundadora Carla Sarni junto à comunidade da zona leste de São Paulo, com palestras e ações de prevenção à saúde bucal – semente do projeto contemplado em 2009 com um dos "Prêmio ABF – Afras Destaque Responsabilidade Social". No final de 2009, a empresa criou o Instituto Sorridents, com proposta de ampliar os projetos sociais. E lançou o consultório móvel, para ações compartilhadas com entidades parceiras. "Em 2010, as ações do instituto vão deslanchar de vez", planeja Rafael. "As franquias replicam em sua região os projetos do gênero. É uma condição definida em contrato", completa o diretor. Na rede de ensino de informática Bit Company, o envolvimento dos franqueados nos projetos sociais também deu à marca no ano passado um dos prêmios da Afras, com o Projeto Jovem Aprendiz, desenvolvido pela franquia de Parauapebas, interior do Pará com jovens considerados em situação de risco. O diretor de operações e negócios do Instituto Bit Company, Luiz Fernando Magna Bosco, diz que metade dos 90 franqueados se envolve com alguma ação de responsabilidade social. "Não é uma regra, mas há uma indicação para que a franquia faça uma ação junto à sua comunidade". A rede educacional possui 138 unidades. As ações sociais da marca também são desenvolvidas pelo Instituto Bit Company, criado há 12 anos pela matriz. "Ele tem a missão de promover o cidadão, incentivar jovens na participação social e trabalhar para o seu desenvolvimento e inclusão no mercado de trabalho", afirma o diretor do instituto. No município de São Paulo, em parceria com a ONG Meninos do Morumbi, por exemplo, o instituto forma, anualmente, 300 garotos nos cursos de informática. Na Fundação Casa, são 85 meninas habilitadas para o trabalho em telemarketing. Custo zero A rede coleciona extensa relação de ações, como parceira de projetos ou em eventos pontuais (arrecadações para vítimas de enchentes, por exemplo). "Dá para fazer responsabilidade social com custo quase zero", garante o executivo. A gerente de operações da Bit Company, Ângela Manzoni, afirma que em 2010 os projetos socioambientais deverão ganhar mais espaço na rede. "Os socioeducativos já estão bem enraizados. Nasceram muito antes de se começar a falar em responsabilidade social. Está no nosso DNA", afirma.

Por: Fátima Lourenço.

 

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