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Data de Publicação: 12/02/2010  

Feriados 2010: custo ou lucro?

 Paralelamente à redução de jornada de trabalho, "pontes" também preocupam setor industrial, que perde dinheiro com dias parados.
No momento em que se discute a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, colocando em lados opostos empresários e trabalhadores, outro debate promete colocar mais lenha na fogueira: os feriados prolongados em 2010 e os seus impactos na economia. Para o comércio e o turismo, as emendas de feriados, chamadas de "pontes", podem não afetar os negócios. O mesmo não acontece com a indústria. No fim de 2008, a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) divulgou uma pesquisa para estimar o tamanho do prejuízo provocado pelos feriados prolongados ao longo de 2009 em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). De acordo com a entidade, que promete divulgar um novo estudo hoje, no ano passado, cada feriado nacional provocou uma perda de até R$ 12,9 milhões do PIB. Em 2008, dos 12 feriados nacionais, oito caíram em dias úteis. No ano passado, grande parte das datas comemorativas também ocorreu nas terças e quintas-feiras da semana. Neste ano, serão 11 feriados nacionais em dias úteis, sendo quatro às terças-feiras, um na quinta, dois em sextas-feiras e um na quarta. Isso sem contar os feriados estaduais, os municipais e os jogos do Brasil durante a Copa do Mundo. No país do futebol, é improvável que não haja paradas momentâneas para assistir a seleção entrar em campo. "Os feriados impõem custos enormes ao parque produtivo e à atividade econômica", resume o economista Guilherme Mercês, da divisão de Estudos Econômicos da Firjan. Com o novo estudo, a ideia é levantar o debate sobre a instituição de novas datas comemorativas municipais e estaduais. Comércio – Ao contrário dos possíveis prejuízos provocados à indústria, os feriados prolongados não devem afetar as vendas do comércio neste ano. A opinião é do economista do Instituto de Economia Gastão Vidigal (IEGV), da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Emílio Alfieri. De acordo com ele, a economia caminha bem e, recentemente, foi detectado aumento no índice de confiança do consumidor. Na última pesquisa divulgada pela entidade, o índice de otimismo alcançou 149 pontos em janeiro, o maior da série histórica, iniciada em 2005. Foram ouvidos mil entrevistados em nove regiões metropolitanas do País. "Com dinheiro no bolso e maior disposição para gastar, o consumidor antecipa as compras ou deixa para depois", afirma Alfieri. A mesma neutralidade de impacto não aconteceu no ano passado, quando o País ainda sofria com os reflexos da crise econômica mundial que eclodiu no final de 2008. "Em tempos de economia sólida, não creio que essas paradas afetem o consumo", diz o economista. Jornada de trabalho – Nesta semana, o presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP), propôs a líderes sindicais e a parlamentares a redução da jornada de trabalho de 44 para 42 horas semanais. A ideia de Temer é fazer uma diminuição gradativa de uma hora em 2011 e duas em 2012. Originalmente, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) prevê que a jornada caia, imediamente, para 40 horas semanais, o que contraria os empresários. A previsão é que as negociações sobre o tema sejam retomadas após o Carnaval.

Por: Sílvia Pimentel 

 

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