Vendas aumentaram 5,9% em 2009 no País. E São Paulo foi destaque, com 7,3% de expansão, apesar de, em dezembro, desempenho de 8,4% ter sido um pouco menor que média nacional.
Mercado já consolidado e bases fortes de comparação nos últimos anos não brecam aumento dos negócios paulistas. 25 por cento é o tamanho da participação do Estado de São Paulo no total do consumo no Brasil
Mesmo outras praças tornando-se atraentes (...), a participação ainda está muito distante da paulista
Luiz Goes, GS&MD
A crise econômica internacional, definitivamente, não foi capaz de abalar o comércio no Brasil. A prova está no desempenho do varejo no ano passado, divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As vendas no País acumularam alta de 5,9% em comparação com 2008 e São Paulo superou a média nacional, com negócios 7,3% superiores aos do período anterior. Em relação ao mês de dezembro apenas, o estado mostrou um crescimento um pouco abaixo da média nacional (expansão de 8,4% sobre dezembro de 2008, ante elevação média nacional de 9,1%), mas isso é visto, pelos especialistas, como um movimento natural, que não reduz a importância do estado como motor da economia nacional. O diretor da consultoria especializada em varejo e distribuição, GS&MD – Gouvêa de Souza, Luiz Goes, lembra que, nos últimos anos, o varejo paulista já vem tendo desempenho acima da média nacional. "Portanto, a base de comparação é muito forte. Assim, crescer um pouco abaixo da média em um mês ainda é um ótimo resultado pela participação que o estado apresenta no total do varejo." Para se ter uma ideia, o consultor diz que só a região Sudeste concentra cerca de 40% do potencial de consumo do País, e o Estado de São Paulo, sozinho, responde por 25% do total. "Portanto, mesmo outras praças tornando-se atraentes para o varejo, como é o caso do Nordeste, a importância de sua participação ainda está muito distante da paulista", completa. São Paulo, com seus cerca de 40 milhões de habitantes, continua sendo o estado com a principal participação na composição da taxa do comércio varejista brasileiro, seguido por Bahia (12,6%), Rio Grande do Sul (11,6%) Minas Gerais (10%) e Rio de Janeiro (6,2%). Otimismo – Além do fato de São Paulo já ser um mercado consolidado e, portanto, com padrões e bases mais fortes de consumo, os especialistas ainda ressaltam algumas condições específicas atuais das regiões Norte e Nordeste do País para explicar a situação do mês de dezembro. "As pesquisas que medem o índice de confiança do brasileiro mostram os consumidores das regiões Norte e Nordeste mais otimistas com a economia do País", diz Emílio Alfieri, economista do Instituto de Economia Gastão Vidigal (IEGV), da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). O economista da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP), Fabio Pina, confirma que os números já eram esperados e não mudam o quadro de destaque paulista. Ele lembra que o padrão de consumo é mais básico no Norte e Nordeste do que nos estados do Sul e Sudeste. "Além disso, foram os locais em que a renda mais cresceu por causa do aumento real do salário mínimo e dos repasses dos programas de políticas sociais do governo federal", afirma. Apesar disso, ele destaca que a participação de São Paulo foi muito boa no ano, tendo em vista que a crise afetou principalmente a indústria que, em sua maioria, se encontra no estado. Para Pina, o menor crescimento em dezembro de 2009 não significou perda de dinamismo do varejo paulista – o que até seria bem-vindo no médio prazo, pois significaria melhor distribuição de emprego e renda em outras regiões do País. "Mas não foi isso o que aconteceu e nem deverá ocorrer no curto prazo. A própria infraestrutura do estado, aparelhado com a mão de obra mais especializada de todo o País, torna São Paulo muito dinâmico. Portanto, já neste início de ano os índices de varejo deverão retomar os patamares da média nacional", afirma o economista. Na comparação regional, todas as 27 unidades da Federação obtiveram resultados positivos no mês de dezembro de 2009 em relação a igual período do ano anterior. Os destaques ficaram com Acre (23,4%); Piauí (18,9%); Sergipe (18,7%); Alagoas (17,5%); Rondônia (16,4%) e Roraima (16,3%).
Patrícia Bull