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Data de Publicação: 03/03/2010   

Gerenciamento de crises pode reduzir estragos das enchentes

Tema foi debatido ontem em reunião do Comitê de Política Urbana da Associação Comercial de São Paulo
Evandro Monteiro/Hype
Aluísio Pardo Canholi, coordenador do Plano Diretor de Macrodrenagem da Bacia do Alto Tietê, na ACSP
A ACSP está atenta aos prejuízos causados pelas chuvas aos cidadãos. Muitos tiveram suas casas destruídas. Vamos cobrar melhorias.
Antonio Carlos Pela
O engenheiro e coordenador do Plano Diretor de Macrodrenagem da Bacia do Alto Tietê, Aluísio Pardo Canholi, defendeu ontem a modernização dos sistemas de gerenciamento de crises, atualmente feito pelo Centro de Gerenciamento de Emergência (CGE) da Prefeitura. Segundo ele, a cidade poderia adotar sistemas mais modernos, aplicados em outros países e que possuem até mesmo um sistema em tempo real sobre os risco de alagamentos. São os casos, por exemplo, das cidades de Tóquio, no Japão, e de Paris, a capital francesa. A afirmação foi feita ontem durante encontro quinzenal do Comitê de Política Urbana (CPU) da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). Além de Canholi, estiveram presentes ao encontro o presidente da Cohab-SP, Ricardo Pereira Leite, e o superintendente do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), Ubirajara Tannuri Felix. O encontro foi coordenado pelo vice-presidente da Associação Comercial Antonio Carlos Pela e contou com a participação do ex-presidente da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) Nelson Maluf El Hage, que também integra a CPU. Inicialmente, o engenheiro Canholi explicou aos conselheiros e associados da Associação Comercial de São Paulo a importância do Plano Diretor de Macrodrenagem para toda a região metropolitana. Desenvolvido em 1998, o plano define, entre outras coisas, as áreas onde devem ser construídos os piscinões, que são os grandes reservatórios de águas que atuam no combate às enchentes. Na opinião de Canholi, parte da culpa das recentes enchentes em São Paulo está relacionada ao crescimento desordenado da população junto às margens dos rios e a falta de mais piscinões. As inundações provocadas pelas chuvas não são, contudo, um problema exclusivo de São Paulo. Segundo Canholi, cidades como Paris e Tóquio enfrentam transtornos semelhantes de tempos em tempos. A diferença é que essas duas cidades possuem bons sistemas de alertas contra enchentes em tempo real, o que ajuda a minimizar os efeitos muitas vezes devastadores das chuvas. "É preciso modernizar esse sistema de alertas de gerenciamento de crises. É preciso melhorar o sistema de previsão de cheias e, com isso, alertar, por exemplo, motoristas sobre uma possível cheia e quais seriam suas rotas de fuga", explicou. Assoreamento - O engenheiro falou também da necessidade da limpeza de rios que cortam a cidade, com o objetivo de minimizar os efeitos do assoreamento desses cursos. Canholi informou que, no ano passado, o DAEE retirou aproximadamente 400 mil metros cúbicos de terra e outros materiais apenas do rio Tietê. Este ano, o governo do Estado prevê a retirada de um milhão de metros cúbicos de sedimentos. "A maior parte (do material que se acumula no fundo dos rios) é formada por terra. Mas há outros objetos, como pneus, por exemplo. A população deveria evitar esse tipo de descarta nos rios", alertou Felix. O vice-presidente Pela destacou a importância do tema para a cidade de São Paulo, principalmente sobre as futuras medidas da Prefeitura e do governo do Estado para a próxima estação de chuvas. "A ACSP está atenta aos prejuízos causados pelas chuvas aos cidadãos. Muitos tiveram suas casas destruídas. Vamos cobrar melhorias para a cidade para o próximo verão", afirmou Pela.
 

Ivan Ventura

 

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