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Data de Publicação: 08/03/2010   

Alimentos e bebidas devem se readequar

Cadeia alimentícia e de bebidas precisa suprir melhor necessidades do consumidor do País
O primeiro Encontro Setorial de 2010 da ACSP reuniu varejistas de área que deve crescer 5,6% este ano
Se houvesse redução na carga tributária, o desempenho desses setores seria ainda melhor.
Ulisses Gamboa, ACSP
5,6 por cento deverá ser o crescimento do setor de alimentos e bebidas no ano de 2010
O primeiro Encontro Setorial de 2010 promovido pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP) para orientar e informar o varejo sobre o comportamento de diversos ramos de atividades econômicas foi realizado ontem na sede da entidade, na capital paulista. Na reunião, o economista da entidade, Ulisses Gamboa, apresentou um panorama atualizado da economia brasileira e do setor de alimentos e bebidas que tem expectativa de crescimento de 5,6% em 2010. Segundo ele, há espaço para aumentar o consumo nas classes C e D, principalmente nas regiões Norte e Nordeste, que atraem a atenção dos grandes varejistas. O entrave que pode retardar a aceleração do ritmo de consumo, avalia, é a altíssima incidência de impostos sobre alimentos e bebidas. "Se houvesse redução na carga tributária, o desempenho desses setores seria ainda melhor", afirmou Gamboa . O presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), Alencar Burti, ressaltou que nos dias de hoje, é fundamental ser empreendedor e, por isso, a entidade transformou-se em uma organização multissetorial. "Temos que nos unir para que tenhamos nossas reivindicações atendidas junto ao governo federal. Por isso, precisamos nos mirar no exemplo dos sindicatos laborais, que sabem lutar e criar estratégia para ter suas reivindicações atendidas", afirmou. Proteínas – Renato Meirelles, presidente do instituto Data Popular, que realiza pesquisas sobre os hábitos de consumo das classes sociais C e D, informou aos participantes do encontro que uma pesquisa realizada nos bairros da zona leste da capital paulista constatou que 24% das famílias dessas faixas de renda comprariam alimentos que oferecem mais proteínas e gordura, como salsichas e hambúrgueres, se a sua renda melhorasse. A base da alimentação dessa população ainda é composta pela tradicional combinação de arroz e feijão acompanhada da chamada "mistura", formada por proteínas. Ela é considerada essencial por 78% deste público. O estudo também indicou que as indústrias alimentícias precisam se adaptar aos hábitos de consumo dos brasileiros que integram as classes C e D. " Esses setores precisam se adaptar e oferecer produtos que se ajustem tanto ao poder aquisitivo quanto à necessidade de praticidade exigidos por esses novos consumidores", disse. Eles consomem pouco, por exemplo, os pratos congelados prontos porque são oferecidos em porções pequenas. Essas refeições precisariam ser vendidas em quantidades maiores para tais famílias. "Para esses consumidores, a alimentação tem um peso importante no orçamento e as refeições são fatores de união das famílias." A pesquisa mostrou ainda que os produtos de marcas próprias das redes de supermercados ainda são considerados de má qualidade pela classe C. "Marca é aval de qualidade para o consumidor de baixa renda porque ele não pode errar", enfatiza o presidente do Data Popular. Mulheres – De acordo com a pesquisa do Data Popular, a escolha dos alimentos que são consumidos pela população das classes C e D é exclusividade das mulheres. Elas são bem informadas e exigentes quanto à qualidade do que oferecem aos seus familiares. Segundo o consultor, além disso, mais acesso à informação faz com que as chefes de família escolham alimentos com alto valor nutricional, o que não significa necessariamente produtos saudáveis, mas que ofereçam energia e proteínas ao mesmo tempo. Alimentação fora de casa – O food service, denominado alimentação fora do lar, é outro segmento importante para o setor de alimentos e bebidas, pois movimentou R$ 160 bilhões em 2009 e cresce a taxas anuais de 15% nos últimos anos. A categoria representa 24% dos gastos com alimentos no Brasil.

Paula Cunha

 

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