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Data de Publicação: 04/05/2010   

Projeto para vida financeira tranquila

A tarefa não é fácil, principalmente por envolver mudanças de hábitos de consumo e antigos conceitos em relação ao dinheiro. Mas organizar o orçamento doméstico e criar condições para uma vida financeira tranquila no futuro não são projetos impossíveis. Basta querer encarar o desafio e procurar o máximo de informações sobre o assunto, hoje disponíveis em vários canais de comunicação e apresentadas em palestras como a "Educar – Educação Financeira", do economista José Alberto Netto Filho, organizada em conjunto pelo Conselho da Mulher da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e pela BM&FBovespa, na semana passada. Em um auditório da bolsa, dezenas de pessoas, em sua maioria mulheres, acompanharam com atenção as dicas do especialista para driblar impulsos, colocar as contas em dia e começar a investir. A primeira e mais básica orientação do economista: não adianta acreditar que dívidas são problemas que se resolvem sozinhos – é necessário montar um planejamento financeiro em que estejam estabelecidas metas a serem alcançadas em determinado tempo. "As pessoas têm de pensar hoje no estilo de vida que querem ter na aposentadoria. É preciso avaliar se será viável depender da ajuda de familiares ou se será melhor ter recursos suficientes para as próprias despesas e, quem sabe, até realizar sonhos", observou o economista. Aposentadoria "Há pessoas que trabalham a vida toda e não conseguem manter o padrão financeiro na aposentadoria por não terem se planejado. Esses casos servem de alerta para todos", disse a coordenadora-geral do Conselho da Mulher da ACSP, Norma Burti. O palestrante destacou a necessidade de reflexão sobre alguns temas essenciais para um bom planejamento, como o destino do dinheiro (a pessoa tem uma "estratégia" consistente para manter equilíbrio entre receitas e despesas?) e os limites de consumo (são respeitados ou a pessoa sempre os extrapola?). Ele sugeriu ainda que se acompanhe uma espécie de cronograma da vida financeira. Segundo o economista, a faixa dos 20 anos deve ser dedicada aos estudos, enquanto o período posterior, até os 50 anos, é ideal para estabelecer objetivos, formar família, assumir riscos (como a compra da casa própria), fazer seguros e investir. Um pouco mais à frente, até os 65 anos, ele vê um período de atitudes mais conservadoras, substituído, a seguir, pelo tempo de desfrutar a vida. "A questão é pesar as decisões de viver agora e pagar depois, tornando-se um devedor, ou guardar agora e viver depois, transformando-se em credor", afirmou, ressaltando que hoje é, de fato, muito difícil para as pessoas em geral resistir à tentação de comprar. "Estabelecer metas é um desafio." De acordo com o economista, um bom caminho para atingir a estabilidade financeira no futuro pode estar em um "tributo": o que ele chama de Imposto Permanente de Construção de Riqueza (IPCR), que cada um deve pagar para si mesmo. "Essa forma compulsória é ótima para fazer as pessoas começarem a poupar", disse. Juros para você A ideia do IPCR é que a pessoa use os juros a seu favor, ganhando rendimentos pelo dinheiro que deixar guardado em vez de apenas pagar juros para bancos e outros agentes financeiros. "O custo do crédito – o juro – é o alto preço que se paga pela antecipação de um prazer de consumo, pela realização de um sonho antes do tempo. Por isso, é preciso ter muita cautela com empréstimos e financiamentos. Juros podem ser muito perigosos para quem não se planeja", ressaltou, citando as exorbitantes taxas de 260% ao ano que se paga, em média, pelo uso do limite do cheque especial no País. Depois que o planejamento começa a funcionar, diminuindo dívidas e organizando melhor as despesas, chega a hora de investir o que sobra. E, nesse momento, são comuns as dúvidas a respeito da melhor entre as centenas de opções que o mercado brasileiro oferece. Embora tenha risco um pouco maior do que aplicações conservadoras como a poupança, a compra de ações em bolsa de valores pode ser um bom caminho para quem tem planos de longo prazo. Quem não quer se arriscar tanto pode escolher entre fundos de renda fixa ou títulos do governo, entre muitos outros. "Quem quer investir deve conhecer duas regras básicas do mercado financeiro: quanto maiores a segurança e a liquidez, menor a rentabilidade; e todos os investimentos têm algum tipo de risco. O melhor é diversificar as aplicações", afirmou. Durante a apresentação, o economista explicou os caminhos para quem escolher a bolsa de valores. Em primeiro lugar, é preciso contratar os serviços de uma corretora, que executa as ordens de compra e venda de ações e ajuda o investidor a escolher os papéis por meio de análises detalhadas de muitas empresas listadas na bolsa. Uma boa dica do economista para quem ainda não está familiarizado com a renda variável: é possível fazer simulações de investimentos no site da BM&FBovespa (www.bmfbovespa.com.br).
 

Neide Martingo

 

 

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