A BM&FBovespa fechou ontem no seu pior patamar em quase três meses, depois que a aversão a risco internacional levou os investidores a liquidarem as ações generalizadamente. Apenas dois papéis do Ibovespa terminaram em alta, e muitas das quedas superaram os 5%.
O temor de que a crise fiscal europeia atinja outros países ganhou maiores proporções diante dos rumores de que a Espanha seria a bola da vez (veja texto abaixo). Além disso, pesou a notícia de que a atividade econômica na China começa a arrefecer, o que puxou as commodities para baixo – já pressionadas pela elevação do compulsório anunciada no último final de semana.
O Ibovespa terminou o dia em baixa de 3,35%, aos 64.869,32 pontos – o menor nível desde 9 de fevereiro deste ano (64 718,17). Na mínima do dia, o índice registrou 64.588 pontos (queda de 3,77%) e, na máxima, 67.116 pontos (estabilidade). No mês, a Bovespa acumula perdas de 3,94% e, no ano, de 5,42%.
Por causa da grande aversão a risco, o giro financeiro foi bastante elevado e totalizou R$ 10,082 bilhões, basicamente com vendas pesadas de investidores estrangeiros. Este giro foi o maior do ano – não estão considerados os pregões em que houve vencimentos.
Papéis – Com todo esse noticiário, os metais rolaram ladeira abaixo e levaram consigo as ações da Vale, que perderam 4,67% na ON e derreteram 4,85% na PNA, mais líquida.
A Petrobras, que vem sendo abatida recentemente por causa das dúvidas em relação ao processo de capitalização, hoje teve adicionalmente a pressão do tombo do petróleo para justificar sua queda.
Além disso, o banco UBS se juntou ao J.P. Morgan e hoje rebaixou a recomendação para as ações da Petrobras, de comprar para neutra. Na Nymex, o contrato para junho perdeu 4%, a US$ 82,74 o barril. Na BM&FBovespa, a Petrobras ON recuou 3,36% e PN, 3,37%.
Juros – A curva de juros empinou ontem, com os contratos de longo prazo bem mais pressionados do que os de vencimento próximo. A trajetória das taxas foi marcada por uma boa dose de volatilidade que teve como pano de fundo o noticiário doméstico e a tensão externa.
Ao término da negociação normal da BM&F, o DI julho de 2010 (144.695 contratos) estava em 9,696%, de 9,68% no ajuste de ontem; o DI janeiro de 2011 (501.255 contratos), quase estável, projetava 11,19%, de 11,20% no ajuste de ontem; e o DI janeiro de 2012 (306.985 contratos subia de 12,46% para 12,54%. O DI janeiro de 2017 (27.820 contratos) avançava de 12,49% para 12,68%.
Exterior – Os mercados europeus de ações fecharam ontem em queda acentuada, em um dia de grande depreciação dos papéis dos bancos em meio a renovados temores quanto à saúde financeira de países da periferia da zona do euro. As mineradoras, por sua vez, foram afetadas pela proposta de elevação de impostos sobre a exploração de recursos naturais na Austrália.
As ações dos bancos, que são grandes detentores de títulos de dívida de governos, apresentaram queda acentuada, com o francês Credit Agricole perdendo 6%, o espanhol Santander recuando 7,3% e o Banco Nacional da Grécia registrando queda de 13%.
No domingo, o governo grego concordou em implementar medidas de austeridade fiscal em troca de um pacote de resgate financeiro de 10 bilhões de euros oferecido pela União Europeia (UE) e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).
"O pacote de ajuda está na mesa, mas há temores de que o Parlamento alemão não o aprove. Os mercados também não estão certos quanto à capacidade do governo grego de implementar as medidas", opinou Philippe Gijsels, diretor de pesquisa do BNP Paribas Fortis Global Markets.
O índice composto ASE, da bolsa de valores de Atenas, caiu 123,98 pontos, ou 6,68%, fechando em 1.729,68 pontos. Em Portugal, o PSI-20 recuou 4,2%, encerrando a sessão em 7.097,78 pontos. Na bolsa de Madri, o índice Ibex-35 perdeu 563,7 pontos, ou 5,41%, baixando da casa dos 10 mil pontos e terminando o pregão em 9.859,1 pontos.
"Os spreads estão voltando a aumentar e o euro está em queda. Isto me faz crer que há novos temores de que a crise se espalhe para Portugal e Espanha", comentou Gijsels.
As ações das mineradoras também apresentaram perdas acentuadas. Os papéis da Rio Tinto caíram 6,4% e os da BHP Billiton recuaram 7,9%. Enquanto isso, as ações da British Petroleum caíram mais 3% enquanto a companhia luta em conter um vazamento de petróleo no Golfo do México com potencial de transformar-se em um dos maiores desastres ambientais dos EUA.
Índices – Entre os principais índices de ações da Europa, o CAC-40, da bolsa de valores de Paris, recuou 139,17 pontos, ou 3,64%, fechando em 3.689,29 pontos; em Londres, o FTSE-100 perdeu 142,18 pontos, ou 2,56%, encerrando em 5.411,11 pontos; o índice Dax, da bolsa de Frankfurt, caiu 160,06 pontos, ou 2,60%, terminando o pregão em 6.006,86 pontos.
O índice pan-europeu Stoxx 600 fechou ontem em queda de 2,9%, parando em 252,93 pontos e recuando aos níveis de março.
Agência Estado - 4/5/2010 - 20h12