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Data de Publicação: 16/07/2010   

Consumidor mais inclinado a comprar bens duráveis

Os consumidores paulistanos mostram otimismo com relação ao futuro da economia, como sugerem os resultados da Pesquisa Trimestral de Intenção de Compras no Varejo elaborada pelo Programa de Administração do Varejo (Provar). Para o levantamento foram ouvidos 500 consumidores da capital paulista, sendo que, desse total, 75,6% se mostraram propensos a adquirir bens duráveis ao longo do terceiro trimestre do ano. O resultado configura evolução na comparação com o que foi captado no segundo trimestre, quando 74,6% dos entrevistados revelaram disposição para compra, e também supera o resultado observado no terceiro trimestre do ano passado, quando o percentual foi de 74,2%. Para Cláudio Felisoni, coordenador-geral do Provar, essa disposição para compras futuras é resultado do alongamento dos prazos de pagamento, da queda dos juros e da elevação verificada na massa salarial. Os itens da categoria cine e foto aparecem como os mais desejados pelos consumidores ouvidos no estudo. Do total dos entrevistados, 12,6% informaram intenção de comprar bens desse grupo ao longo do terceiro trimestre. Logo depois aparece a categoria informática, apontada por 11%, seguida pelo grupo de produtos da linha branca, com 10,6%. Os entrevistados também revelaram que pretendem gastar, na média, R$ 464 no período com produtos da categoria cine e foto. Com itens de informática, o valor é de R$ 1.462 ao longo do terceiro trimestre e, para a linha branca, de R$ 1.171.

 

Financiamento – O crédito é um dos grandes propulsores do consumo. Segundo o estudo do Provar, ele deve ter papel de destaque no terceiro trimestre. Os consumidores revelaram que pretendem utilizar mais mecanismos de financiamento para adquirir bens ao longo do período. Mudança significativa na intenção do uso do crédito foi revelada para compra de eletroportáteis. No terceiro trimestre de 2009, apenas 16,7% dos consumidores que pretendiam adquirir itens dessa categoria informaram que usariam crédito; para 2010, esse percentual subiu para 78,9%. No grupo de cine e foto a elevação foi de 60,3% para 82,5%. Para móveis, a alta registrada foi de 65,4% para 83,7%. O estudo mostra ainda que, na média, 14,9% do orçamento dos consumidores ouvidos já está comprometido com dívidas antigas. No entanto, esse percentual de comprometimento ainda é considerado aceitável. Especialistas em finanças costumam dizer que o risco de o consumidor se tornar inadimplente tende a crescer quando 20% do seu orçamento fica comprometido com pagamento de dívidas por um longo período.

 

Estímulo – O levantamento realizado pelo Provar revela ainda que o alongamento dos prazos de pagamento vem se mostrando ao longo dos anos um instrumento mais eficiente para estimular o consumo do que a própria elevação da renda dos compradores. Pelo estudo, para cada aumento de um ponto percentual na renda ocorria elevação de 0,93% no consumo em anos anteriores. Em 2009 essa mesma relação resultava em aumento de 0,79% e agora, em 2010, em 0,73% de alta. Já o alongamento dos prazos de pagamento traz resultados mais efetivos na elevação do consumo. Em 2008, a cada ponto percentual de alta registrada nesse prazo, verificava-se incremento de 0,15% nas vendas. Em 2009, esse percentual subiu para 0,28% e, em 2010 o que se observa é o aumento de 0,59% no consumo. Esse fenômeno ocorre, de acordo com Felisoni, porque o aumento mais significativo da renda se deu entre as classes C e D, que não são as principais consumidoras de bens duráveis. Por outro lado, o alongamento dos prazos tende a favorecer a aquisição de bens para todas as classes. O prazo de pagamento médio oferecido ao consumidor é estendido desde 2006. Em maio deste ano o prazo médio era de 512 dias, 9,34% superior ao verificado exatamente um ano atrás.

 

Vendas – Com a intenção de compra do consumidor em alta, a expectativa do Provar é que as vendas no varejo cresçam 1,95% no terceiro trimestre, na comparação com igual período do ano passado. Apesar dessa expansão, a expectativa mostra também uma possível desaceleração em relação ao resultado obtido no terceiro trimestre de 2009 comparado com o mesmo período de 2008 – na ocasião, a expansão registrada foi de 3,6%. "O ano de 2010 foi atípico, com Copa do Mundo e agora com eleição. Esses são fatores que impulsionam o consumo. Mas eles tendem a arrefecer. Agora a tendência é de desaceleração do consumo, estimulada pela elevação dos juros", pondera Felisoni. Os juros ao consumidor ainda estão em queda, mas tendem a aumentar. Tendo maio como referência, a taxa, que em 2009 era de 47,35% ao ano, recuou para 41,5% em 2010. A tendência é que os juros para o consumidor voltem a subir nos próximos meses como consequência das elevações da taxa básica de juros (Selic). De acordo com o coordenador-geral do Provar, os efeitos do aumento da Selic refletem nos juros para o consumidor após um período de mais ou menos três meses.
Renato Carbonari Ibelli

 

 

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