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Data de Publicação: 05/02/2010   

Certeza de crescimento em 2010

Ingresso de mais 20 milhões de brasileiros no consumo, devido à ascensão das classes socioeconômicas mais baixas, aumenta expectativas de empresas fornecedoras de gêneros básicos.


Os empresários brasileiros ainda comemoram o final de 2009 e não é por causa dos bons resultados alcançados nos negócios. Ao contrário, a maioria dos setores sentiu retração por conta da crise internacional, em maior ou menor intensidade e espera mudanças. Para este ano, o otimismo é quase uma unanimidade. Obras de infraestrutura, Copa do Mundo de 2014 e projetos para o pré-sal são alguns dos motivos que levam ânimo aos executivos. Pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV) para o Grupo de Líderes Empresariais (Lide) aponta que 56% dos empresários brasileiros preveem recuperação de seus negócios já em 2010. É o caso, por exemplo, da indústria de cobre. Depois de registrar uma queda na produção entre 15% e 17% no ano passado, a Associação Brasileira do Cobre (ABC) prevê expansão de 10% em 2010, recuperando, assim, níveis de produção anteriores à crise. De acordo com Sérgio Aredes, presidente da entidade, a demanda dos segmentos de infraestrutura e indústria no primeiro semestre e da construção civil na segunda metade do ano irão impulsionar o setor. O levantamento da FGV-Lide mostra também que 74% dos empresários entrevistados consideram que seus negócios estão melhores agora quando comparados a igual período de 2009. "Começamos o ano passado com um processo decrescente nos negócios por causa da crise, que então era muito recente. Neste início de 2010, ao contrário, já percebemos melhora nas vendas a cada semana", afirma Marcelo Macedo, presidente da Fototica. Embora a empresa tenha aberto 22 novas lojas das 26 previstas, o executivo considera que 2009 foi um ano de estagnação, pois as metas – feitas em 2008, antes do ápice da crise – eram bastante ambiciosas. "Temos vários desafios para este ano, como a consolidação da nova logomarca, o início da integração com a rede Clocks, de Recife, que adquirimos no ano passado, e a ampliação da rede na Bahia e Sergipe. Estou bastante animado", diz Macedo. Otimismo também não falta ao vice-presidente da Yoki, Gabriel Cherubini, que espera um crescimento de 15% no faturamento neste ano em comparação com 2009, quando teve alta de 14%. "Eu sempre fui um otimista, mas alguns fatores que observamos neste início de ano reforçam a previsão de bons negócios em 2010", afirma. Como exemplo, ele cita o ingresso de mais de 20 milhões de brasileiros ao consumo graças à movimentação das classes mais baixas, reflexo direto da melhora efetiva da renda, e a Copa do Mundo. "A Copa ajuda a ampliar nossas vendas por conta da procura por salgadinhos (os snacks), pipoca e até farofa para o churrasco, pois são produtos festivos, ligados aos dias de jogos", diz Cherubini. Entraves – Embora 54% dos empresários ouvidos pela FGV-Lide apostem em um crescimento econômico do Brasil entre 3% e 5% em 2010 sobre o ano passado, eles também indicam alguns fatores que dificultam um melhor desempenho. Para 74% deles, a carga tributária continua sendo a grande vilã dos negócios e o principal fator que impede a expansão de suas respectivas empresas. Outros 8% culpam a taxa de juros.
 

Patrícia Büll

 

 

 

 

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